Olá, no final de julho saíram algumas notícias a dar conta da presença da bactéria Xylella fastidiosa em Espanha. Já em 2013 tinha sido detetada no sul de Itália e em 2015 na ilha francesa da Córsega [1] e [2]. Trata-se de uma bactéria que provoca sintomas de declínio em vários hospedeiros e é transmitida por insetos vetores que se alimentam no xilema das plantas [3]. Para além das oliveiras também as amendoeiras, vinhas, citrinos, carvalhos estão sob ameaça desta bactéria.
Para erradicação da bactéria as imposições comunitárias definem o estabelecimento de um cordão sanitário com uma área mínima de 10 km2 de diâmetro em redor da área afetada e a eliminação de todas as plantas e das suas raízes num raio de 100 metros do local.
Ainda segundo as mesmas notícias [1] e [2] organizações de olivicultores tanto do lado de Portugal como do lado de Espanha referem a necessidade do Estado indemnizar os agricultores pelas perdas que venham a ter pela erradicação da bactéria nas suas explorações (custo de arrasar ou queimar as áreas afetadas, o tempo que os terrenos ficam interditos a novos cultivos assim como os encargos necessários para retomar a exploração).
Ainda segundo as organizações é a única forma dos agricultores darem conhecimento às autoridades dos focos encontrados caso contrário “irão tentar manter-se calados para não perderem a sua colheita“, mesmo que isso possa pôr em risco a própria cultura e as próximas. Sou da opinião que o Estado não deve estar sempre a intervir mas neste caso não sei que outra forma seria possível para levar os agricultores a corresponderem. Deveriam ser as próprias associações, eventualmente com fundos europeus e por uma questão de timing, a financiar os agricultores? Vou questionar as 2 organizações portuguesas referidas nas notícias e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária. Conto partilhar aqui as respostas.
Esta Direcção-Geral alertou a 30 de junho de 2017 caso observe sintomas suspeitos desta bactéria, tais como queimaduras foliares e um declínio rápido em oliveiras envelhecidas [4], deve notificar de imediato os serviços de inspeção fitossanitária da Direção Regional de Agricultura e Pescas da área onde se encontra.
Em janeiro de 2019 Portugal informou a Comissão Europeia da presença da bactéria em plantas de lavanda no jardim de um zoo em Vila Nova de Gaia. Já segundo um relatório do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural de 16 de abril de 2019 refere que até à data foram detetados 13 focos da presença desta batéria em espaços públicos e jardins particulares daquele concelho [5].
Atualização da deteção da Xylella fastidiosa em Portugal em [6].
[4] http://agriculturaemar.com/xylella-o-que-e-como-prevenir/
[6] http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=14076974&cboui=14076974
Partilho em baixo outras informações, notícias sobre este assunto saídas após a publicação deste post.
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